COMPORTAMENTO

Quem nunca se sentiu só?

Às vezes a gente cava a nossa própria solidão.

É como se a vida lá fora fosse a superfície e nós estivéssemos indo em direção há um buraco. No início parece algo bom, estamos em pleno sossego, num espaço só nosso. Mas com o tempo, vai ficando cada vez mais difícil não vermos o movimento e não ter alguém que nos acompanhe nisso. Vai fazendo falta, afinal, já sabemos como tudo é lá na superfície.

Mas já não sabemos como voltar. É aí que dói. A solidão dói em um momento ou noutro. Ela é boa quando opcional e não frequente. E sabe qual o pior? Quando sabemos que nós é que ocasionamos toda a situação em que nos encontramos, geralmente, de uma única forma: deixando para depois. As mensagens a serem respondidas, os encontros, as alegrias. Sempre parece que é só mais uma vez, né? É só mais um “não, deixa para a próxima.”.

E assim vamos deixando a vida passar, com pouco esforço para manter as nossas relações, independente do tipo em que se encaixam. Só depois percebemos o quão importante elas são para nos fortalecer. Quando vemos, já fomos esquecidos. Pelos outros e por nós mesmos. Esquecemos de como éramos e da forma como agimos que tornava tudo tão mais fácil. Ou será que só aparentava ser mais fácil por já estarmos inseridos? Não sei.

Mas a gente vai ficando ali, buscando alguma forma de voltar para a superfície. Esperando que alguém nos encontre. Alguém que mora lá fora ou o alguém que mora dentro da gente.

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COMPORTAMENTO, PESSOAL

A beleza do percurso

Quase todas as viagens que fiz foram de carro. Ainda não tive o prazer de conhecer de perto a beleza do céu, apenas admirá-la daqui. Mas ainda sim, sei que a beleza que se encontra na estrada também é incomparável. Só quem se entrega às emoções de viagens assim vai se identificar com o que estou dizendo.

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Geralmente a paisagem está completamente bonita, com árvores que preenchem o horizonte e com o céu aberto, mas às vezes, é só uma paisagem. A gente nunca sabe o que vem pela frente, então só seguimos. O destino se aproxima. A ansiedade aumenta. Mas será que o que nos aguarda pode ser ainda melhor do que apreciar tudo isso?

Independente do destino final, todo percurso é lindo. Alguns com um pouco mais de buracos na estrada, outros nem tanto, alguns mais longos, outros mais curtos, mas todos, em alguns momentos, com surpresas de encher os olhos — e o coração.

Abrir as janelas para admirar o que vemos é uma questão de escolha. Às vezes o vento está forte e optamos por não abrir. Talvez estejamos só nos protegendo, mas esquecemos que certamente não passaremos ali novamente.

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A boa notícia é que quase todas as estradas têm um duplo sentido e assim ganhamos a chance de estarmos ali outra vez. Mas pode ser que nessa volta, tudo tenha mudado, as árvores tenham virados tocos, o rio tenha secado e assim, não reconheçamos o lugar em que estamos.

Para frente é que se anda. Se aproveitarmos tudo o que a estrada tem a nos oferecer, a volta se torna menos interessante. Conhecer novas paisagens é muito mais legal.

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Agora faz sentido dizer que a nossa vida é uma estrada. Mas qual é o nosso destino final?

COMPORTAMENTO

Por que desativei todas as minhas redes sociais?

Há um tempo eu vinha pensando em desativar todas as minhas redes sociais. Precisava me desligar um pouco do mundo e me conectar mais comigo mesma, com Deus, com todo o universo. Sinto que elas estavam me distanciando das coisas que eu gosto e que passaram mais a me prejudicar do que realmente me entreter, que seria o objetivo. Não estou afirmando que era necessário excluí-las para resolver os meus problemas internos e tudo o que tem acontecido, mas certamente eu ficaria menos saturada longe do que agrava ainda mais o que eu enfrento diariamente.

Sei que muitas vezes somos medidos por quem somos nas redes sociais; se temos um feed legal e se utilizamos bons filtros nas fotos. A nossa beleza é medida pelas curtidas, a nossa popularidade pelos comentários e o nosso intelecto pelas postagens que compartilhamos. A verdade é que somos muito mais do que todas essas coisas banais, mas às vezes elas acabam ocultando todo o resto.

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Me faltava coragem para abandonar tudo o que construí em cada uma das minhas redes, afinal, pertenço a elas há alguns anos, principalmente ao Instagram, que boa parte da minha história estava registrada lá. Mas às vezes nos dá a louca e fazemos o que temos vontade, assim, do nada. Claro que dessa vez não foi diferente, ontem decidi que faria isso. E fiz.

Quando me perguntam o que vou fazer agora longe de tudo, eu digo com toda a sinceridade do mundo “vou viver”, é, viver de verdade. Me descobrir ainda mais, me aventurar um pouco, fazer o meu tempo valer a pena… Ler alguns livros e até, quem sabe, começar a escrever um. Quanto ao blog, não sei se continuarei atualizando durante esse tempo, mas com certeza estarei escrevendo por fora; é o que eu amo fazer, não tem jeito.

Hoje foi a primeira manhã em que me sentei para tomar o meu café longe do meu celular. Observei os azulejos da cozinha enquanto ouvia o barulho do relógio redondo de parede. Estranho é que eu nunca tinha notado esse barulho que ele faz, mas hoje, em meio ao silêncio – do ambiente e da minha mente – eu pude perceber. Acho que já sinto o mundo mais de perto agora.

Esse texto não é de despedida, sinto que alguma hora vou querer voltar; quando eu me sentir pronta, no meu tempo. Até lá, estarei descobrindo a vida de uma nova forma; sincera, real e genuína.

COMPORTAMENTO

Metades de laranjas existem sim

Antes de torcer o nariz ao ver o título do texto, continue lendo até o final.

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Houve uma época que diziam que éramos metades de uma laranja buscando pela parte que nos faltava. Com o tempo, fomos mudando esse conceito e nos denominando como laranjas inteiras e claro, muito além dessa analogia, confirmando sermos seres completos.

De vez em quando me vem uns pensamentos completamente aleatórios para o momento, assim como veio esse: “metades de laranjas existem sim”. Comecei a refletir sobre isso e acho que voltei à ideia inicial. Somos laranjas inteiras ou meias dependendo do ponto de vista. Pode ser que você discorde de mim e tudo bem se pensar diferente, mas pressuponho que sim, somos incompletos e buscamos seres que preencham essa parte que falta (ou aprendemos a conviver sem ela e sem sentir necessidade de encontrá-la). Veja bem, não estou relacionando à felicidade e dizendo que somente com a metade da sua laranja que você será feliz, até porque penso que ela deve ser plena e genuína por si só, mas estou afirmando na questão de ser, de personalidade.

Descobri isso depois de ter um relacionamento sólido há algum tempo. Nós dois juntos alcançamos um equilíbrio que sozinha eu nunca consegui. Não tem como eu ter todos os elementos necessários na minha personalidade para atingir esse tal equilíbrio. É como se os dois chegassem ao estado ideal. Como se completassem uma laranja que, nesse caso, é o equilíbrio.

O Lu sempre foi sonhador demais, já eu trago a realidade de perto para ele. Eu sou quase sempre pessimista, enquanto ele distribui otimismo por aí. É assim em tudo. Somos inversos que formam um ideal. Éramos duas metades, isoladas em balanças que só pesavam para um lado. Quando decidimos nos unir, nos posicionamos um em cada ponta dessa balança. No meio está o nosso amor e, enquanto equilibramos ele com as nossas partes, estamos sendo também equilibrados.

Acredite, essa analogia é bem mais complexa do que parece ser. Talvez você não encontre a metade da sua laranja e se interesse pela metade de um limão. Tudo bem, também dá para fazer um bom suco.

 

 

COMPORTAMENTO

Meio ano

Início da semana. Meio ano.

Acredito que é sempre nessas paradas que o ano tem, como o início, o meio e o fim, que grande parte das pessoas ficam reflexivas. Eu sou uma delas. No início, porque é quando planejamos tudo o que queremos conquistar naquele ano e/ou começamos algo novo. Aí no meio do ano é quando costumamos reavaliar a vida e vemos que de repente… tudo está fora dos trilhos. Tentamos então, a partir disso, recuperarmos o tempo que passou, não é assim? E no fim, é quando nos lamentamos por não termos feito metade das coisas que gostaríamos.

É, se eu olhar para o que escrevi na minha lista de 2018, muitas coisas que já eram para terem sido concretizadas, não estão nem perto. Mas ainda tem tempo. Sempre tem tempo. Digo isso para mim mesma e para você.

Parei de querer antecipar as coisas e desejar que elas aconteçam para ontem, sabe o por quê? Porque descobri que elas têm o seu tempo, o seu próprio tempo. Pode ser que algumas delas aconteçam mês que vem, ou quem sabe, ano que vem. E está tudo bem.

Não farei um discurso aqui de que a lei da atração e do pensamento positivo é forte o suficiente para fazer as coisas acontecerem sozinhas, obviamente tudo é preciso que haja o nosso esforço, mas nem tudo depende só dele. Observei isso diariamente, nesse meio ano, o quanto que tenho dado o meu sangue para conseguir algumas coisas e como tenho sentido que tenho falhado na missão. Aí vem aquele alguém que sempre salva tudo, me lembrar de que estar fazendo a minha parte é o que importa (obrigada, Lu).

Tem um ano todo para percorrer, uma centena de oportunidades novas para surgir, tudo bem se muitas coisas já deram errado. Mas eu gostaria de te perguntar: para onde você está indo? 

Andar sem propósito é como andar sem destino. E quando a gente anda sem destino, qualquer lugar que essa estrada nos levar, não podemos reclamar, já que não dirigimos o volante da nossa vida e nem sequer ligamos o GPS.

Meio ano se passou.
Aonde você quer chegar até o final?

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PESSOAL

Eu…

sorrio para estranhos. Ensaio cenas em frente ao espelho muito improváveis de acontecer. Não gosto de ouvir música no fone, prefiro quando ela ecoa pelo ambiente. Adoro dias chuvosos. Escrever menos de duas linhas é um desafio para mim. Sou apaixonada por flores, de todas as formas e cores. Gosto de conhecer as pessoas e tudo o que carregam por dentro. Falo sem parar e sobre tudo, comento sobre o tempo e logo já estou criando uma reflexão mirabolante. Amarelo é a minha cor preferida por expressar tanta alegria. Para mim, não há traje melhor do que aquele bom e velho pijama. Quando vou sair, calço todos os sapatos só para confirmar que é o preto de sempre que eu vou usar. Ah, descobri recentemente que gosto de fotografar, também. Gosto de encorajar as pessoas a fazerem coisas que nem eu mesma faria. Sonho alto, mas mantenho os pés no chão quando necessário. Tenho crises de ansiedade, choro facilmente e estou longe de alcançar o equilíbrio, já que tudo por aqui é demais, é exagerado, inclusive quando se trata de sentimentos. Uso umas roupas fora de moda e sou louca por meias fofinhas (com desenhos ou peludinhas). Coleciono CDs, canecas e chaveiros. Adoro cartas, cafés, fins de tarde. Livros, histórias, lembranças.

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O mais engraçado é perceber que apesar de muita coisa por aqui ter mudado, quando olho para toda a descrição que fiz sobre mim, lembro-me de já ter escrito essas palavras um dia. É claro que acrescentei algumas coisas que fui descobrindo no meu processo de autoconhecimento, mas é incrível observar como eu ainda sou tão… eu. E ao mesmo tempo que sei muito sobre mim, entendo que ainda sei muito pouco. Mas de uma coisa eu tenho certeza: ninguém no mundo me conhece melhor do que eu mesma.

PESSOAL

Às vezes é preciso dar um tempo

Hoje pela manhã senti que precisava escrever, mas não sabia exatamente qual seria o foco do meu texto. Fiquei pensando em mil formas de começar esse post sem que limitasse tudo o que eu queria dizer. Bom, nem eu mesma sei o que quero dizer, quero apenas abrir o meu coração e deixar que os meus sentimentos se espalhem por essas linhas.

Esse final de semana resolvi sair de casa, respirar ar fresco, rir um pouco. Foi necessário para me trazer o prazer de viver novamente. Entre dezenas de bancos espalhados pela praia, em um deles, estava eu, tentando me recuperar das crises que ansiedade que tive nos últimos dias. Senti que estava sendo restaurada novamente ao me deparar com tudo o que estava a minha frente. Que imensidão, lá fora e aqui dentro.

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Essa foi uma das cenas que pude presenciar. Queria que as câmeras fossem capazes de capturar a beleza real da lua e de toda a imensidão do céu, mas ainda sim, quando olho para esse pontinho branco, admiro ao sentir exatamente a mesma coisa que no momento da foto.

Cheguei a conclusão de que às vezes é preciso dar um tempo, ficar só, para tentar entender tudo o que se passa dentro da gente. Ninguém precisa estar bem o tempo todo e muito menos fingir que está. Se as crises vierem novamente, direi que já sei onde encontrar a calmaria que preciso.