COMPORTAMENTO

Quem nunca se sentiu só?

Às vezes a gente cava a nossa própria solidão.

É como se a vida lá fora fosse a superfície e nós estivéssemos indo em direção há um buraco. No início parece algo bom, estamos em pleno sossego, num espaço só nosso. Mas com o tempo, vai ficando cada vez mais difícil não vermos o movimento e não ter alguém que nos acompanhe nisso. Vai fazendo falta, afinal, já sabemos como tudo é lá na superfície.

Mas já não sabemos como voltar. É aí que dói. A solidão dói em um momento ou noutro. Ela é boa quando opcional e não frequente. E sabe qual o pior? Quando sabemos que nós é que ocasionamos toda a situação em que nos encontramos, geralmente, de uma única forma: deixando para depois. As mensagens a serem respondidas, os encontros, as alegrias. Sempre parece que é só mais uma vez, né? É só mais um “não, deixa para a próxima.”.

E assim vamos deixando a vida passar, com pouco esforço para manter as nossas relações, independente do tipo em que se encaixam. Só depois percebemos o quão importante elas são para nos fortalecer. Quando vemos, já fomos esquecidos. Pelos outros e por nós mesmos. Esquecemos de como éramos e da forma como agimos que tornava tudo tão mais fácil. Ou será que só aparentava ser mais fácil por já estarmos inseridos? Não sei.

Mas a gente vai ficando ali, buscando alguma forma de voltar para a superfície. Esperando que alguém nos encontre. Alguém que mora lá fora ou o alguém que mora dentro da gente.

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COMPORTAMENTO

Por que desativei todas as minhas redes sociais?

Há um tempo eu vinha pensando em desativar todas as minhas redes sociais. Precisava me desligar um pouco do mundo e me conectar mais comigo mesma, com Deus, com todo o universo. Sinto que elas estavam me distanciando das coisas que eu gosto e que passaram mais a me prejudicar do que realmente me entreter, que seria o objetivo. Não estou afirmando que era necessário excluí-las para resolver os meus problemas internos e tudo o que tem acontecido, mas certamente eu ficaria menos saturada longe do que agrava ainda mais o que eu enfrento diariamente.

Sei que muitas vezes somos medidos por quem somos nas redes sociais; se temos um feed legal e se utilizamos bons filtros nas fotos. A nossa beleza é medida pelas curtidas, a nossa popularidade pelos comentários e o nosso intelecto pelas postagens que compartilhamos. A verdade é que somos muito mais do que todas essas coisas banais, mas às vezes elas acabam ocultando todo o resto.

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Me faltava coragem para abandonar tudo o que construí em cada uma das minhas redes, afinal, pertenço a elas há alguns anos, principalmente ao Instagram, que boa parte da minha história estava registrada lá. Mas às vezes nos dá a louca e fazemos o que temos vontade, assim, do nada. Claro que dessa vez não foi diferente, ontem decidi que faria isso. E fiz.

Quando me perguntam o que vou fazer agora longe de tudo, eu digo com toda a sinceridade do mundo “vou viver”, é, viver de verdade. Me descobrir ainda mais, me aventurar um pouco, fazer o meu tempo valer a pena… Ler alguns livros e até, quem sabe, começar a escrever um. Quanto ao blog, não sei se continuarei atualizando durante esse tempo, mas com certeza estarei escrevendo por fora; é o que eu amo fazer, não tem jeito.

Hoje foi a primeira manhã em que me sentei para tomar o meu café longe do meu celular. Observei os azulejos da cozinha enquanto ouvia o barulho do relógio redondo de parede. Estranho é que eu nunca tinha notado esse barulho que ele faz, mas hoje, em meio ao silêncio – do ambiente e da minha mente – eu pude perceber. Acho que já sinto o mundo mais de perto agora.

Esse texto não é de despedida, sinto que alguma hora vou querer voltar; quando eu me sentir pronta, no meu tempo. Até lá, estarei descobrindo a vida de uma nova forma; sincera, real e genuína.

COMPORTAMENTO

Metades de laranjas existem sim

Antes de torcer o nariz ao ver o título do texto, continue lendo até o final.

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Houve uma época que diziam que éramos metades de uma laranja buscando pela parte que nos faltava. Com o tempo, fomos mudando esse conceito e nos denominando como laranjas inteiras e claro, muito além dessa analogia, confirmando sermos seres completos.

De vez em quando me vem uns pensamentos completamente aleatórios para o momento, assim como veio esse: “metades de laranjas existem sim”. Comecei a refletir sobre isso e acho que voltei à ideia inicial. Somos laranjas inteiras ou meias dependendo do ponto de vista. Pode ser que você discorde de mim e tudo bem se pensar diferente, mas pressuponho que sim, somos incompletos e buscamos seres que preencham essa parte que falta (ou aprendemos a conviver sem ela e sem sentir necessidade de encontrá-la). Veja bem, não estou relacionando à felicidade e dizendo que somente com a metade da sua laranja que você será feliz, até porque penso que ela deve ser plena e genuína por si só, mas estou afirmando na questão de ser, de personalidade.

Descobri isso depois de ter um relacionamento sólido há algum tempo. Nós dois juntos alcançamos um equilíbrio que sozinha eu nunca consegui. Não tem como eu ter todos os elementos necessários na minha personalidade para atingir esse tal equilíbrio. É como se os dois chegassem ao estado ideal. Como se completassem uma laranja que, nesse caso, é o equilíbrio.

O Lu sempre foi sonhador demais, já eu trago a realidade de perto para ele. Eu sou quase sempre pessimista, enquanto ele distribui otimismo por aí. É assim em tudo. Somos inversos que formam um ideal. Éramos duas metades, isoladas em balanças que só pesavam para um lado. Quando decidimos nos unir, nos posicionamos um em cada ponta dessa balança. No meio está o nosso amor e, enquanto equilibramos ele com as nossas partes, estamos sendo também equilibrados.

Acredite, essa analogia é bem mais complexa do que parece ser. Talvez você não encontre a metade da sua laranja e se interesse pela metade de um limão. Tudo bem, também dá para fazer um bom suco.

 

 

COMPORTAMENTO

Meio ano

Início da semana. Meio ano.

Acredito que é sempre nessas paradas que o ano tem, como o início, o meio e o fim, que grande parte das pessoas ficam reflexivas. Eu sou uma delas. No início, porque é quando planejamos tudo o que queremos conquistar naquele ano e/ou começamos algo novo. Aí no meio do ano é quando costumamos reavaliar a vida e vemos que de repente… tudo está fora dos trilhos. Tentamos então, a partir disso, recuperarmos o tempo que passou, não é assim? E no fim, é quando nos lamentamos por não termos feito metade das coisas que gostaríamos.

É, se eu olhar para o que escrevi na minha lista de 2018, muitas coisas que já eram para terem sido concretizadas, não estão nem perto. Mas ainda tem tempo. Sempre tem tempo. Digo isso para mim mesma e para você.

Parei de querer antecipar as coisas e desejar que elas aconteçam para ontem, sabe o por quê? Porque descobri que elas têm o seu tempo, o seu próprio tempo. Pode ser que algumas delas aconteçam mês que vem, ou quem sabe, ano que vem. E está tudo bem.

Não farei um discurso aqui de que a lei da atração e do pensamento positivo é forte o suficiente para fazer as coisas acontecerem sozinhas, obviamente tudo é preciso que haja o nosso esforço, mas nem tudo depende só dele. Observei isso diariamente, nesse meio ano, o quanto que tenho dado o meu sangue para conseguir algumas coisas e como tenho sentido que tenho falhado na missão. Aí vem aquele alguém que sempre salva tudo, me lembrar de que estar fazendo a minha parte é o que importa (obrigada, Lu).

Tem um ano todo para percorrer, uma centena de oportunidades novas para surgir, tudo bem se muitas coisas já deram errado. Mas eu gostaria de te perguntar: para onde você está indo? 

Andar sem propósito é como andar sem destino. E quando a gente anda sem destino, qualquer lugar que essa estrada nos levar, não podemos reclamar, já que não dirigimos o volante da nossa vida e nem sequer ligamos o GPS.

Meio ano se passou.
Aonde você quer chegar até o final?

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COMPORTAMENTO

Sempre é tempo de recomeçar

Já sentiu como se tudo ao seu redor tivesse perdido o sentido? Bom, eu já, algumas vezes. Era como se eu não me encaixasse mais nos planos que eu mesma tinha escolhido para mim. Percebi então, ao conversar com outras pessoas, que por mais que o desejo do nosso coração seja de buscar algo novo, o medo pode acabar nos impedindo.

Sair da nossa zona de conforto é uma atitude trabalhosa e que requer coragem, já que é mais fácil nos prender ao que já temos, ainda que numa condição ruim, do que começar algo do zero. Em determinados momentos, estamos a um passo de se entregar a algo novo, mas acabamos nos prendendo àquilo que não nos serve mais. É verdade que ficar na nossa bolha nos poupa de muitas frustrações, mas ao mesmo tempo, estamos perdendo oportunidades que não esperarão por nós.

Hoje eu compreendo que está tudo bem os nossos sonhos mudarem e que isso acontece devido ao nosso crescimento pessoal. Não há problema nenhum que queiramos traçar uma nova direção, não é porque as coisas fugiram dos planos que elas fracassaram.

A questão que determina tudo é o quanto nos permitimos. Os recomeços podem nos surpreender se estivermos abertos às novidades. É libertadora a sensação de abandonarmos quem já fomos um dia para recriarmos uma nova versão de nós mesmos. É como se estivéssemos nos dando uma nova chance de sermos felizes.

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COMPORTAMENTO

A crise dos 17 anos: escolhas, cobranças e insegurança

É quase que impossível não passar pela crise dos 17 anos, mais cedo ou mais tarde, ela chega, no meu caso, bateu na minha porta muito antes do que eu imaginava. Por isso resolvi trazer esse tema em forma de bate papo, para ajudar ou pelo menos mostrar para aqueles que estão passando por isso, que jamais estarão sozinhos nessa.

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Acredito que essa idade é tão complexa por termos que fazer escolhas. E como é difícil fazer escolhas. Na maioria dos casos essa dificuldade vem pelo medo de errar e ter que recomeçar. Último ano do ensino médio vem acompanhado de, além todos os dramas adolescentes já conhecidos, uma série de novas cobranças e preocupações. É nessa época também que nos pressionam a escolher o curso que queremos na faculdade e é aí que vem o medo de não escolher o certo e só descobrir depois de já ter iniciado.

Têm certas escolhas que ainda me questiono muito sobre elas. Sempre achei que escolher algo concreto é como escolher apenas uma parte de nós. Se somos várias versões, por que exercer só uma delas? Já quis ser professora, bailarina e até astronauta e, conforme fui crescendo, fui percebendo como os nossos sonhos de crianças são esmagados pela sociedade, pela nossa família ou até por nós mesmos.

Geralmente nos perguntam: mas como você vai viver disso? E já vem aquela cara de paisagem após essa pergunta. É o sentimento que sinto quando me perguntam o retorno financeiro que o blog me dá. Isso é o que menos importa, sabe? O que realmente deve se levar em consideração é que sou feliz fazendo isso e que vou dormir todas as noites com um sentimento de satisfação por me sentir completa.

É o que eu gostaria que todas as pessoas sentissem com aquilo que elas escolhessem, independente do que fosse. Que as escolhas de cada um não tivesse tanta intervenção de terceiros. Que as pessoas entendessem que diploma não é sinônimo de felicidade. Que todos se sentissem livres para se reiventar e recomeçar sempre que quisessem.

COMPORTAMENTO

Descomplicar

Certa vez alguém me disse “às vezes as coisas não precisam de explicação, elas apenas são do jeito que são” e depois de ter escutado essa frase, parece que tudo mudou.

Fui deixando de lado aquela minha mania de sempre querer entender o mundo e as suas formas, as pessoas e os seus sentimentos. Ela me gerava um sentimento de angústia e ansiedade. Parecia que eu tinha que saber qual era o episódio a seguir ou então nada estava sob o meu controle.

Até que resolvi parar e aceitar que tudo bem eu não estar, que algumas coisas não cabem a mim e que não posso fazer nada a respeito do que vem de fora. Não é sobre aceitar as situações que não me agradam e me conformar de braços cruzados, é sobre saber a hora de intervir e a de “deixar pra lá”. É sobre viver um dia de cada vez. É sobre sentir sem criar toda uma projeção em torno do sentimento.

Foi como abandonar um fardo e deixar tudo fluir do jeito que tem que ser. Descobri que a vida pode ser mais leve assim e que a maioria das complicações e paranoias nós mesmos que criamos. Se me perguntarem como que se alcança esse estado de espírito, direi que tudo começa pela aceitação do abandono do controle.

E sabe o mais cômico de toda essa história? Esse alguém partiu, depois desse ensinamento incrível, mas volto ao início do texto: “às vezes as coisas não precisam de explicação, elas apenas são do jeito que são”.

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