COMPORTAMENTO, PESSOAL

A beleza do percurso

Quase todas as viagens que fiz foram de carro. Ainda não tive o prazer de conhecer de perto a beleza do céu, apenas admirá-la daqui. Mas ainda sim, sei que a beleza que se encontra na estrada também é incomparável. Só quem se entrega às emoções de viagens assim vai se identificar com o que estou dizendo.

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Geralmente a paisagem está completamente bonita, com árvores que preenchem o horizonte e com o céu aberto, mas às vezes, é só uma paisagem. A gente nunca sabe o que vem pela frente, então só seguimos. O destino se aproxima. A ansiedade aumenta. Mas será que o que nos aguarda pode ser ainda melhor do que apreciar tudo isso?

Independente do destino final, todo percurso é lindo. Alguns com um pouco mais de buracos na estrada, outros nem tanto, alguns mais longos, outros mais curtos, mas todos, em alguns momentos, com surpresas de encher os olhos — e o coração.

Abrir as janelas para admirar o que vemos é uma questão de escolha. Às vezes o vento está forte e optamos por não abrir. Talvez estejamos só nos protegendo, mas esquecemos que certamente não passaremos ali novamente.

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A boa notícia é que quase todas as estradas têm um duplo sentido e assim ganhamos a chance de estarmos ali outra vez. Mas pode ser que nessa volta, tudo tenha mudado, as árvores tenham virados tocos, o rio tenha secado e assim, não reconheçamos o lugar em que estamos.

Para frente é que se anda. Se aproveitarmos tudo o que a estrada tem a nos oferecer, a volta se torna menos interessante. Conhecer novas paisagens é muito mais legal.

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Agora faz sentido dizer que a nossa vida é uma estrada. Mas qual é o nosso destino final?

COMPORTAMENTO, PESSOAL

Bate-papo sobre autoconhecimento e amor próprio

É fato que só aprendemos a nos amar quando nos conhecemos. Mas é possível que, mesmo nos conhecendo, não consigamos nos ver com bons olhos.

Lembro-me do quanto isso tudo já me afetou por muito tempo, na verdade, desde que entrei na adolescência. Me sentia muito magra, enxergava o meu nariz maior do que ele realmente é e lidava com uma grave acne. Pior do que me ver com tanto desprezo, era me comparar com outras meninas como se elas fossem perfeitas. Foi assim que eu fui me autodestruindo, me julgando cada vez mais e me inferiorizando em relação as outras. Até que fui tratando, cuidadosamente, todo o ferindo que eu, junto à mídia, tinha causado no meu interior.

2016 foi um ano marcante para mim. Foi quando decidi que iria me autoconhecer, parecia uma decisão simples, mas ela mudou toda a minha vida. Antes disso, me decepcionei com um menino que me desdenhou. Naquele momento, até cheguei a acreditar que o que ele estava certo no que disse sobre mim, depois, quis agradecer a ele por ter me motivo a me tornar quem eu sou.

Percebi que quando você não se conhece, você permite que as pessoas digam quem é você e eu não podia mais deixar que isso acontecesse. Passei um tempo comigo mesma e descobri um montão de coisas sobre mim. Foi maravilhoso. Basicamente, a maior parte das coisas que me autodetermino hoje foram descobertas naquele ano.

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Escuto algumas pessoas me disserem que transmito autoconfiança e que dá para ver claramente o meu amor próprio, mas não foi sempre assim. Foi escolha. Foi processo. Na verdade, se autoconhecer é um processo que nunca tem fim, mas é só depois de ter dado início a ele que é possível aprender a se amar. É claro que não estou  totalmente livre de passar por crises atualmente ou de me sentir mal comigo mesma em alguns dias, a diferença é que agora não é algo constante. Hoje eu consigo enxergar muito além do que eu vejo na frente do espelho.

PESSOAL

Eu…

sorrio para estranhos. Ensaio cenas em frente ao espelho muito improváveis de acontecer. Não gosto de ouvir música no fone, prefiro quando ela ecoa pelo ambiente. Adoro dias chuvosos. Escrever menos de duas linhas é um desafio para mim. Sou apaixonada por flores, de todas as formas e cores. Gosto de conhecer as pessoas e tudo o que carregam por dentro. Falo sem parar e sobre tudo, comento sobre o tempo e logo já estou criando uma reflexão mirabolante. Amarelo é a minha cor preferida por expressar tanta alegria. Para mim, não há traje melhor do que aquele bom e velho pijama. Quando vou sair, calço todos os sapatos só para confirmar que é o preto de sempre que eu vou usar. Ah, descobri recentemente que gosto de fotografar, também. Gosto de encorajar as pessoas a fazerem coisas que nem eu mesma faria. Sonho alto, mas mantenho os pés no chão quando necessário. Tenho crises de ansiedade, choro facilmente e estou longe de alcançar o equilíbrio, já que tudo por aqui é demais, é exagerado, inclusive quando se trata de sentimentos. Uso umas roupas fora de moda e sou louca por meias fofinhas (com desenhos ou peludinhas). Coleciono CDs, canecas e chaveiros. Adoro cartas, cafés, fins de tarde. Livros, histórias, lembranças.

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O mais engraçado é perceber que apesar de muita coisa por aqui ter mudado, quando olho para toda a descrição que fiz sobre mim, lembro-me de já ter escrito essas palavras um dia. É claro que acrescentei algumas coisas que fui descobrindo no meu processo de autoconhecimento, mas é incrível observar como eu ainda sou tão… eu. E ao mesmo tempo que sei muito sobre mim, entendo que ainda sei muito pouco. Mas de uma coisa eu tenho certeza: ninguém no mundo me conhece melhor do que eu mesma.

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A alegria está em todas as coisas

Uma frase.
Nem todos os dias são bons, mas há algo bom em cada dia.

Como tenho compartilhado no último post, os últimos dias não têm sido fáceis, mas apesar disso, encontrei a alegria em cada um deles, em pequenas coisas, pouco a pouco. É um exercício espontâneo.

A alegria é algo tão leve e sereno que nem cabe a mim complexá-la. Perdemos tanto tempo procurando por ela, quando na verdade ela já está aqui, ali, em todos os lugares. Nos olhos, no coração. Num sorriso ao ver paisagens bonitas. Numa dança em frente ao espelho. Num gole de café quente. No afeto. No compartilhar a vida com pessoas amadas.

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A cidade onde eu moro é cheia de prédios, mas às vezes a gente encontra umas árvores e flores pelo caminho. Gosto disso. Ter saído por aí e me deparado com algumas paisagens como essa, me fez bem, me deixou alegre. Acho que quebrou um pouco desse mundo todo moldado.

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Essa daí sou eu, de cabelo armado e meia calça branca, mas com uma alegria sincera estampada no rosto por ter conseguido tirar fotos boas. Resolvi colocar essas fotos sem filtro, sem qualquer edição, para serem ainda mais reais e mostrarem também sentimentos reais.

Gostaria de encerrar esse post com uma música composta pelo Vinicius de Moraes que se encaixa em tudo o que eu disse aqui:

“É melhor ser alegre que ser triste
A alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração”

 

PESSOAL

Às vezes é preciso dar um tempo

Hoje pela manhã senti que precisava escrever, mas não sabia exatamente qual seria o foco do meu texto. Fiquei pensando em mil formas de começar esse post sem que limitasse tudo o que eu queria dizer. Bom, nem eu mesma sei o que quero dizer, quero apenas abrir o meu coração e deixar que os meus sentimentos se espalhem por essas linhas.

Esse final de semana resolvi sair de casa, respirar ar fresco, rir um pouco. Foi necessário para me trazer o prazer de viver novamente. Entre dezenas de bancos espalhados pela praia, em um deles, estava eu, tentando me recuperar das crises que ansiedade que tive nos últimos dias. Senti que estava sendo restaurada novamente ao me deparar com tudo o que estava a minha frente. Que imensidão, lá fora e aqui dentro.

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Essa foi uma das cenas que pude presenciar. Queria que as câmeras fossem capazes de capturar a beleza real da lua e de toda a imensidão do céu, mas ainda sim, quando olho para esse pontinho branco, admiro ao sentir exatamente a mesma coisa que no momento da foto.

Cheguei a conclusão de que às vezes é preciso dar um tempo, ficar só, para tentar entender tudo o que se passa dentro da gente. Ninguém precisa estar bem o tempo todo e muito menos fingir que está. Se as crises vierem novamente, direi que já sei onde encontrar a calmaria que preciso.

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Sobre transições e versões

Segunda-feira.

Na volta para casa, enquanto passava pelas paisagens — ou elas por mim —, me peguei pensando na pessoa que me tornei nesses três anos. Estou na reta final para concluir o ensino médio e nunca imaginei que me transformaria tanto nesse período.

Muito além do externo, algo aqui dentro mudou. E como. Quando me recordo da pessoa que eu era, não me reconheço, mas sinto uma satisfação imensa por ter mudado tanto.

Quantos sonhos existiram e se foram?
Quantos pensamentos me acompanharam?
Por quantas mudanças eu passei?
Quanto fui e quanto deixei de ser para as outras pessoas? 

Sabe essas crises existenciais acompanhadas de perguntas que a gente tem geralmente nos domingos à noite? Então, juro que elas são importantes. Depois de passar por tantas, pensei que estava na hora de descobrir o meu lugar no mundo. Acho que estou encontrando, aos pouquinhos, e que sentimento de alívio poder dizer isso.

Não estou nem perto de ser quem eu ainda quero ser e conquistar tudo o que almejo, mas ter em mente o que é e caminhar todos os dias para isso, gradativamente, faz toda a diferença para mim. Estar no caminho. Acho que é sobre isso.

Mas como acredito que algo em nós é imutável. Eu ainda tenho a minha essência permanente. Quando me perguntam o que de fato é essa essência, ainda não consigo justificar de forma clara, mas digo que é algo que me conecta com o meu passado e com todas as minhas versões anteriores. Apesar de diferente, eu ainda sou eu.

Escrevi essas palavras mais como uma forma de registrar o meu eu de agora e todas as coisas que o compõe. Talvez elas não sigam uma ordem de pensamento, mas ah, quem se importa com isso quando se trata de sentimento?
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COMPORTAMENTO, PESSOAL

Com amor, a você

Você me completa, me transborda, me renova.

E de todas as chegadas, a sua foi a que transformou o meu mundo. Você me trouxe a certeza de um amor real com um vestígio de poesia e me encantou bem mais do que todas as minhas idealizações.

A paz que você me traz diariamente equilibra a minha inquietude. A sua calmaria desacelera o meu ritmo. Você me mostrou que a vida é muito mais gostosa quando compartilhada, que os sorrisos são mais espontâneos e que os dias são mais leves.

E quando te encontro, posso ver o brilho em seus olhos e o sorriso largo que refletem a sinceridade desse amor. O seu toque acompanha a maciez e os traços das suas mãos, que percorrem levemente sobre mim. Quando os nossos lábios se aproximam, todos os sentimentos estão presentes naquele instante. Sinto os meus pés fora do chão. Sinto como se não existisse nada além de nós.  Todo o caos que há lá fora desaparece quando deito no seu peito e você entrelaça os seus braços ao meu redor. É o encaixe perfeito. É o meu lugar.

Você me guiou para um caminho que até então era desconhecido e eu aceitei me aventurar nos acasos dessa vida ao seu lado. Descobri que não há sensação melhor do que sentir as batidas do coração em sintonia com as de outro alguém. E agora que fiz do meu, a sua morada, em cada canto tem algo que pertence à você.

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